PLEBISCITO DO LIMITE DA TERRA
Votação na praça Ipiranga atrai populares e provoca debate sobre concentração
fundiária no Brasil
Termina
amanhã, dia 3 de setembro, a votação na praça Ipiranga, Centro de Cuiabá, do
plebiscito popular pelo limite da terra. No último dia, equipes vão se dividir
na coleta de votos de manhã e à tarde. A votação continua, no entanto, em
escolas, assentamentos, paróquias e comunidades, da Capital e interior, até o
dia 7 de setembro, quando haverá a celebração do "Grito dos Excluídos", na
Igreja do Rosário, para fechar a Semana da Cidadania.
A Semana começou dia 1, com a distribuição de pães e chá na praça Ipiranga e a
abertura do plebiscito.
Responsáveis pela urna central do plebiscito estão dialogando com populares
sobre a necessidade de haver um tamanho máximo para as propriedades
rurais estabelecido por lei, como forma de combater a cultura do latifúndio que
sedimentou no Brasil há mais de quatro séculos, desde que a Coroa Portuguesa
dividiu o país, ainda formalmente colonizado, em 15 capitanias hereditárias.
Desde então, a maioria da terra está nas mãos de uns poucos, enquanto muitos têm
pouca ou nenhuma terra.
Além de votos do plebiscito, estão sendo colhidas também assinaturas em um
abaixo-assinado, que já corria antes da Semana da Cidadania e vai continuar
correndo em todo o país até abril do ano que vem, quando o resultado do
plebiscito e o abaixo-assinado serão entregues ao Congresso Nacional.
A intenção é que, havendo mais de 1,6 milhão de assinaturas, ou seja, 1% do
eleitorado brasileiro, seja possível sustentar uma Lei de Iniciativa Popular,
nos moldes da Lei da Ficha Limpa.
Conforme o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, toda essa
articulação é pela inclusão do inciso V no artigo 186 da Constituição Federal
que trata sobre a terra. O inciso quinto seria justamente o limite para a
propriedade rural.
Em Mato Grosso, o Fórum Estadual pela Reforma Agrária e Justiça no Campo
organiza o plebiscito. Inácio Werner, do Centro Burnier Fé e Justiça, coordena o
Fórum. Para ele, esse debate com a sociedade é fundamental na luta por um outro
modelo agrícola.
A
CNBB e outros movimentos populares estão articulados nessa campanha nacional. A
CNBB convocou os católicos a fazerem o mesmo. O bispo de Cuiabá, dom Milton, foi
votar na manhã do primeiro dia, assim como o pastor luterano Teobaldo Witter,
histórico defensor dos Direitos Humanos em Mato Grosso. Outros movimentos
sociais e sindicais, como dos professores e bancários, também convocaram suas
bases para votar.
Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça