Matéria publicada no Estadão 30072010 Evento com apoio estatal tem propostas
radicais
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Evento com apoio estatal tem propostas radicais
Reunidos em Brasília, agricultores defendem a adoção de um limite para o tamanho
das fazendas, medida que atingiria 50 mil propriedades no País
30 de julho de 2010 | 0h 00
Marcelo de Moraes / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Enquanto a candidata petista Dilma Rousseff diz que não vai tolerar ações
ilegais do Movimento dos Sem-Terra (MST) se for eleita presidente da República,
o governo federal patrocina evento de outra entidade de trabalhadores rurais que
defende a limitação da propriedade de terra no Brasil, entre outras medidas
radicais para o setor.
Caixa Econômica Federal, Petrobrás e Banco do Nordeste destinaram R$ 270 mil
como patrocínio para a organização do 2.º Festival Nacional da Juventude Rural,
que está sendo realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura (Contag), em Brasília.
O evento, em seu documento final, defende e cobra do governo apoio para a
aprovação do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra. Coordenado
pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo - composto por 54
entidades, incluindo Contag e MST - o plebiscito será uma mobilização nacional
entre 1 e 7 de setembro em prol da aprovação de uma emenda constitucional que
coloca na lei limites para a propriedade de terra no País.
Na prática, a proposta é a mais radical já apresentada pelos grupos de
trabalhadores rurais e, segundo previsões do próprio Fórum Nacional, afetaria
cerca de 50 mil propriedades, incluindo mais de 6 mil em São Paulo, que estariam
acima do limite proposto pelos defensores do projeto.
O documento final do Festival Nacional da Juventude Rural, que já foi entregue
ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e ao ministro da
Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, abraça a ideia e pede o apoio do
governo à realização do plebiscito e ao estabelecimento de uma norma
constitucional que fixe essa limitação da propriedade.
"O Poder Executivo deve empenhar-se politicamente junto ao Congresso Nacional
visando a apresentação e aprovação de emenda constitucional que estabeleça o
limite máximo da propriedade da terra no Brasil em 35 módulos fiscais, como um
dos critérios para o cumprimento da Função Social da propriedade", diz a carta
do evento.
Módulo fiscal é uma referência usada pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária
(Incra) e varia de tamanho conforme a região do País, ficando entre cinco e 110
hectares.
Dilma não recebeu o documento, mas se encontrou com a Contag no dia 13, quando
lhe foram repassadas as propostas de interesse da entidade para o setor rural.
Na quarta-feira, o presidente da entidade, Alberto Broch, fez discurso em frente
ao Ministério da Educação defendendo a continuidade do governo Lula.
"Não queremos partidarizar essa discussão. Até porque o movimento pelo limite da
propriedade de terra não começou agora, mas lá atrás, em 2000", explica o
secretário nacional de Política Agrária da Contag, William Clementino. "Se
estivéssemos criando tudo nesse momento, poderia até ser feita essa associação.
Mas estamos fazendo a construção de convencimento da sociedade em torno da ideia
há bastante tempo."
Clementino não vê problemas no fato de a Contag receber patrocínios ou assinar
convênios com órgãos do governo federal para bancar eventos. Todas as despesas
feitas com esses recursos federais são auditadas."
Verba liberada
R$ 270 mil
Foi o valor do patrocínio da Caixa Econômica Federal, Petrobrás e Banco do
Nordeste para a realização do 2º Festival Nacional da Juventude Rural,
organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag)