OFICINA DE ESPIRTITUALIDADE

DISCERNIMENTO NA PERSPECTIVA BÍBLICO-CRISTÃ

20.03.10

 

Legenda: 

·         Colocações dos participantes da Oficina

 

 

1.       Oração Inicial – Dinâmica das 7 velas – Texto Mt 4, 1- 11

 

2.       Retrospectiva – Com uma caneta na mão, o grupo foi comparando o encontro anterior (discernimento na perspectiva antropológica-psicológica).   Foi dito que o nosso interior pode ser comparado com uma caneta;   que Deus se encontra no mais profundo do nosso ser; que as nossas decisões mais livres são acionadas pelo nosso inconsciente, etc.

 

3.       TEMA – Discernimento na perspectiva bíblico-cristã

 

4.       Assessoria - Releitura do texto - Texto Mt 4, 1- 11

Foi esclarecida a diferença entre oração e estudo do texto.   Passou-se ao estudo do texto propriamente dito.

* Leitura Mt 3, 13-17 – João quis participar do movimento de João Batista e foi batizado.  Jesus assume a sua humanidade.   Jesus tem uma revelação mística após o Batismo.   O Espírito Santo desce sobre Ele.  Jesus tem uma revelação que deve  assumir a sua missão.  Ele fica 40 (quarenta) dias no deserto, símbolo da caminhada do povo no deserto – lugar de discernimento.  Daí a importância do deserto – silêncio, para ouvir a voz de Deus.

* Questão: Que tentações aparece no texto?    Onde consiste a tentação se o pão não era luxúria e sim para se alimentar?  “Se és filho de Deus, por que assume a condição humana?”     A resposta de Jesus nos ajuda a entender.   Jesus cita o livro de Deuteronômio 8, 1-3  (....)  Trata-se da confiança em Deus.   Os próprios desejos podem nos desviar.   No caso, Jesus poderia fazer um prodígio para si mesmo.  A tentação consiste em não confiar em Deus.  Jesus teve que confiar em Deus até na cruz.     Para Jesus, assumir a condição humana foi se livrar da tentação.

 

·         Por que Jesus não podia comer se a fome é da natureza humana?

·          

Assessoria - O que o texto quis dizer é que dar o pão ao povo não iria salvar a humanidade.   A partilha seria a solução.   A confiança em Deus é necessária.  Jesus decide confiar em Deus e não em si mesmo, nos prodígios que poderia fazer.

 

·         A tentação do texto não poderia ser a ambição de fazer tudo? 

·         E o imediatismo, não seria uma tentação?

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Assessoria -  Leitura de Mt 4, 5-7 – Jesus responde `a tentação com uma palavra da Escritura.   O texto diz que Jesus foi tentado no templo, que representava o poder judaico (sinédrio).   Ver o salmo 91, 11-12 – “pois Ele ordenou aos seus anjos que guardem você em seus caminhos.  Eles o levarão nas mãos, para que o seu pé não tropece numa pedra.”     A tentação omite parte do salmo.   A resposta de Jesus está em Dt 6, 16B – “Não tente o Senhor Teu Deus”.      

- Leitura de Mt 4, 8-11 – Última tentação do texto.  A tentação consiste em adorar outros deuses, outros projetos.   O mundo estava sendo dominado pelo Império Romano.  A quem adoramos?  Quem sabe a tentação seria se colocar no lugar de Deus.  Como fica a questão da criação?   Deus criou o mundo?  Por que o diabo é chamado de príncipe do mundo? 

Leitura do  texto de Gn 2, 7-9 – O texto nos mostra a criação – o sopro da vida.  Deus criou o jardim, os animais, os rios... No meio do jardim tinha duas árvores – o conhecimento do bem e do mal.  O v. 16 contém uma proibição – não comerás do fruto das árvores, porque senão, morrerás.  A tentação se dá no Gn 3, 1-7 – a serpente representa a tentação.  Ela oferece o fruto da árvore.   A serpente era uma divindade egípcia.    O autor do texto quis representar o contexto histórico da época.  

Então, conhecer no sentido bíblico significa experimentar.     As coisas estão no mundo e  eu preciso escolher (bem e mal).  Isso o texto quer nos dizer.   No fundo era a mesma tentação que Jesus sentia no texto de Mateus, que estávamos estudando.     

* Questão:  Quem determina a minha vida, os meus desejos mais profundos ou a sociedade?   Meus impulsos ou o meu  ser mais profundo?

 

·         Jesus no deserto representa o homem que sabe discernir, escolher.   Jesus representa o ser humano livre de desejos, superficialidades?

·         Deus criou o mundo.   Posso pensar o que mundo e o que é mundano?  Tem diferença?

 

Assessoria - Podemos pensar diariamente o que Deus quer de mim?  Ou podemos pensar que Deus não age na minha vida ou na vida do mundo.   Quando Deus criou o ser humano e o colocou no jardim para cuidar, com orientações.    A quem cabe resolver a situação?   A Deus ou ao ser humano?   A culpa das catástrofes humanas é de Deus ou é da tentação?  A árvore da vida.  A proibição de provar os frutos.  A falta do conhecimento de Deus é o que leva aos caminhos da morte e não da vida.

- Leitura Salmo 1 – Vemos que andar nos caminhos do Senhor é observar a lei, os mandamentos.   A prática da justiça.  São os dois caminhos que temos durante a vida.  Quando não obedeço a Deus, me desumanizo.  O pecado não é visto como um ato não moral.  Mas, no discernimento é preciso ir mais fundo.  O que me faz desumanizar?   É um caminho, um processo.

 

·         O que Deus não concretizou com Adão e Eva , concretizou com Jesus?  Ele venceu as tentações.

·         O texto Dt 30,15-20 nos mostra que a vida é uma eterna escolha – bem e mal.  Precisamos sempre escolher.  O importante é sempre escolher a vida.

 

 Questão:    Como uso a Bíblia para fazer discernimento?    

 

·         A vida é o caminho. Uso a Bíblia na vida.   Toda minha vida nasceu a partir do conhecimento de Deus e da Bíblia.  Por exemplo, eu tirei da Bíblia que Deus está em todo lugar.   Todo lugar ele me vê.  Então, a Bíblia é a inspiração.

·         Quando faço uma coisa boa e agrado a Deus, ninguém fica sabendo, às vezes.    Mas, quando se faz algo que não é bom, todo mundo fica sabendo....

·         Parece que não coloco em prática o que leio na Bíblia .  Para mim, é muito difícil.

·         Sempre li a Bíblia para conhecer a vida do povo de Deus e para me inspirar e fortalecer.   Hoje, uso a Bíblia para orar, conhecer os planos de Deus para mim.   Acredito que ainda não uso corretamente.  

·         Conheço a Bíblia desde criança e me lembro muito do meu avô, que sempre falava sobre a Bíblia.  Ele conhecia muito a palavra.   Hoje sinto vontade de conhecer mais a mim mesma.   Por isso, leio a Bíblia quando tenho vontade.   Ainda não leio todo dia.  Hoje, busco ler a Bíblia para me refugiar, para conhecer...

·         Leio a Bíblia constantemente.  Sou religiosa e todos os dias, na minha casa, fazemos  a oração comunitária.   Faço oração pessoal também.  Procuro contextualizar o texto e trazer para a vida.  Tenho a Bíblia como a palavra viva de Deus.   Gosto de rezar os salmos.  Faço salmo da minha vida e da vida do povo.  Deus me ilumina para olhar para a vida do povo.  Tenho muitas inquietações e pergunto a Deus o que Ele quer dizer para mim e para a comunidade.

·         Quero contar uma experiência no juniorado.   Sou religiosa.  Fui fazer o discernimento pessoal, em retiro.  Fiz uma experiência de Deus profunda.   Sentia Deus me chamando pelos versículos bíblicos.   Eu sarei, porque estava doente.  Voltei com uma alegria muito grande dentro de mim.  A palavra de Deus é uma palavra viva.  Cada  dia vejo que a palavra me fala na vida.  É vida em nossa vida.  Aprendi a ler na Bíblia. 

·         A palavra de Deus é força, é alimento, é vida.   Por meio dela vencemos as tentações na família, na comunidade.  A palavra de Deus  é fonte!

·         A minha família é muito católica.  Lembro-me quando era criança, vi um homem vendendo livros e comprei o evangelho de Lucas.   Estudei o livro.  Eu lia o livro, mas parece que nada penetrava dentro de mim.    Vivenciei o espiritismo.   Depois fui fazer um curso bíblico e ai sim, encontrei um caminho.   Faço parte de movimentos pastorais.  A Bíblia é uma resposta para tudo que se procura.  Quando lemos a Bíblia, falamos com Deus.  A bíblia nos alimenta.

·         A Bíblia é uma verdade.  Gosto de ler a Bíblia.  Escuto uma voz me cobrando quando não leio a Bíblia.  Gosto de ler os evangelhos.   Procuro praticar o que leio.  É um ensinamento para minha vida.

·         Quando eu era mais nova, não me sentia atraída pela Bíblia.   Fiz a oficina de oração com os Franciscanos.   Tenho uma Bíblia na cozinha, que deixo sempre aberta.  Ligo o rádio e escuto orações.  Gosto de ouvir o evangelho do dia.   Falta tempo.  Faço orações comunitárias com a Bíblia.  Busco melhorar na caminhada.

·         Eu fui uma pessoa “perdida”.   Pensava em coisas materiais.  Eu me sentia rejeitada pela família, porque eu não queria saber de igreja.  O que me fez mudar foi a fé da minha irmã mais velha.   A vida dela era muito difícil.   Um dia, liguei o rádio, na difusora e era um programa da  D. Aurora Chaves, que lia o evangelho das bodas de Caná.  O evangelho mexeu muito comigo.    A partir daí, passei a vivenciar mais a vida comunitária.      Ninguém pratica tudo da Bíblia.  A Bíblia mudou a minha vida.

·         Uso a Bíblia para me fortalecer.

·         A Bíblia sempre esteve presente na minha vida, nas minhas lutas e dificuldades.

·         Os salmos me marcaram muito.  Minha mãe não tinha estudos e ela lia muito os salmos. A bíblia é fortalecimento.   A Bíblia é um alicerce na minha vida.

 

Assessoria - Cada um tem sua história, seu processo.   Alguns expressaram que a Bíblia é uma revelação dos planos de Deus.  A bíblia é um confronto, muitas vezes.   Como a parábola do semeador, há vários tipos de terrenos.   Assim, para que a bíblia se torne palavra de Deus, é preciso acreditar que ela seja isso e me abrir para ela.   É preciso acreditar que a palavra está falando comigo.  Às vezes, quando temos uma experiência forte de Deus, não sabemos explicar.   A bíblia pode expressar o que eu sinto.  

                Existem pessoas que usam a Bíblia para justificar os seus próprios projetos.  Ai está a tentação.   Quando usamos a Bíblia para justificar as nossas próprias idéias e desejos, é uma tentação.   É preciso deixar-se conduzir pelo Espírito de Deus.   A palavra de Deus está na natureza, na história.   Deus nos fala sempre... na vida e na palavra.               As experiências que estão na Bíblia podem iluminar, mas a cada experiência é diferente.

                É preciso certos critérios para ler a Bíblia.   Podemos justificar tudo com a Bíblia.   Precisamos ler a Bíblia com a chave da vida.  Podemos tomar como exemplo, o texto do evangelho de Mc 3, 1-6.   Jesus desobedece a lei para curar, em dia de sábado.   Que critérios Jesus usa para transgredir a lei?   Que critérios Jesus se serviu para fazer a cura e transgredir a lei?  

                A chave de leitura é a importância das mãos e a vida. 

Leitura do texto de Ex, 20, 8-11 – O texto nos diz sobre o dia de sábado.   Santificar o dia de sábado, era a lei dos judeus.

Leitura do texto Dt 5, 12-15 – Versão mais antiga dos dez mandamentos.  

                Jesus conhece as escrituras.   Jesus sabe que o sábado era o dia de celebrar a libertação.  Jesus questiona o que é mais importante; fazer o bem ou obedecer a lei?   Os fariseus não respondem.  Jesus se entristece com a dureza dos corações.  Para Jesus, o critério era a vida das pessoas.

                Assim, quando leio a Bíblia e vejo que não leva à vida, devo pensar que não é a palavra de Deus.

                Na espiritualidade inaciana, usamos a Bíblia como critério de discernimento.    Os apelos que sinto ao ler a Bíblia, onde me levam?   Se ao ler a Bíblia, sinto desânimo e tristeza, isso não é de Deus.

Santo Inácio diz que em nosso coração podemos sentir 03 (três) forças.   Ânimo – Espírito de Deus que toca.   Também pode tocar o Mau Espírito – o inimigo da humanidade.    Duas forças que atuam dentro da gente.    A terceira, é a minha vontade.   Jesus toma uma decisão:  “afasta-se de mim, Satanás”.         Quando sinto que há um apelo e ponho isso em prática, devo analisar os sentimentos que surgem ao realizar aquele apelo..   Daí a importância do apelo e do que se sente ao realizar aquilo.    O que faz ficar paralisado e deixa a pessoa com medo, não é de Deus.   

Então o caminho:   apelo – decisão – prática - frutos – análise dos sentimentos

 

- Texto para leitura – Discernimento – A. Barrufo, em Dicionário de Espiritualidade

 

- Avaliação da Oficina:

·         Senti PA e  tranqüilidade

·         Foi um encontro dinâmico, quando falamos das  nossas experiências.  Foi muito bom.

·         Sinto que buscar conhecimento é muito bom, para se tornar mais humano.