Análise da situação brasileira, a partir da síntese de entrevistas com alguns pensadores e jornalistas. março 2010
Sumário:
A esquerda e
a reorganização do capitalismo brasileiro
Um projeto
grão-burguês
Contradições e consequências do modelo
Rumo a um capitalismo decente?
Crise climática. Déficit no debate
O Brasil está atrasado
Qual crescimento?
Conjuntura da Semana em frases
Eis a análise.
A esquerda e a reorganização do capitalismo brasileiro
O
capitalismo brasileiro está passando por uma forte reorganização. Essa é a
principal conclusão de um grupo de intelectuais de esquerda ouvidos pela revista
IHU On-Line edição 322 - intitulada ‘A
reestruturação do capitalismo brasileiro’.
Com pequenas
nuances, todos os entrevistados concordam em que está em curso um processo de
reestruturação do capitalismo brasileiro. A maioria considera que essa
reorganização é positiva e que se está no caminho certo. As características
principais dessa reestruturação são: a forte presença do Estado na economia, a
constituição de “gigantes” corporações de capital nacional, a crescente
concentração do capital na mão de poucos grupos e a recuperação de investimentos
sociais. Sob a perspectiva política, a expansão do capitalismo brasileiro tem
representado a difusa percepção de que as controvérsias políticas passam a girar
muito mais em torno de temas da administração e da gestão do que diferenças de
fundo, de caráter ideológico.
As
entrevistas retomam o debate proposto pela
análise da conjuntura especial ‘A reorganização do capitalismo brasileiro’,
publicada faz poucas semanas no sítio do IHU, que destaca que por detrás
da reorganização do capitalismo brasileiro encontra-se o Estado Investidor, o
Estado Financiador e o Estado Social.
A leitura do
conjunto das entrevistas sugere ainda os limites da esquerda, ao menos de parte
da esquerda. As entrevistas manifestam um profundo silêncio frente à crise
civilizacional que vivemos. As referências à problemática da crise climática
quando não estão ausentes se contrapõem a ela, ou seja, ou a esquerda nada tem a
opinar sobre o tema ou, ainda pior, minimiza o problema e critica aqueles que
contestam o atual modelo como defasado em matéria ambiental.
No seu
conjunto, as entrevistas ainda revelam uma certa indigência na proposição de um
projeto de fôlego para o país. Orientam-se pelo reducionismo economicista,
restringem-se ao debate do papel e função do Estado frente à economia e tem como
horizonte imediato a conjuntura política em ano eleitoral. As entrevistas
mostram o pensamento de uma determinada esquerda pouco atilada frente aos
enormes desafios que se apresentam diante da crise estrutural do capitalismo
mundial e pouco ousada com os destinos do Brasil.
A sensação é
de que a elaboração teórica, os intensos debates e a rica capacidade de
proposição que se via anteriormente, particularmente nos anos 1980 e 1990,
encontram-se anulados frente a um governo que, emergindo das forças de esquerda,
confundiu a todos e obnubilou o pensamento crítico. As entrevistas, em sua
grande maioria, manifestam e sugerem que o debate político se esvaziou. Não
teríamos de volta, de outra maneira, o tão criticado “pensamento único”?
Prevalece
aqui a intuição do sociólogo Werneck
Viana quando, tendo presente as eleições desse ano, afirma: “De modo
mais geral, essa expectativa de uma disputa eleitoral destituída de agonística
se alimenta, sobretudo, da difusa percepção de que os êxitos recentes na
expansão do capitalismo brasileiro estariam a significar que a História do País,
afinal, encontrou uma solução feliz. As conquistas econômicas e sociais teriam
serenado o campo da política, cujas controvérsias girariam em torno de temas da
administração e da gestão da coisa pública. Caberia, agora, escolher entre os
candidatos o mais preparado para continuar o script consagrado no sentido do seu
aprofundamento e, uma vez que o País já se acharia com suas instituições
estabilizadas e assentado o seu caminho futuro, lançar-se na aventura da sua
imposição no cenário internacional”.
Foram
entrevistados pela revista IHU On-Line acerca do processo de
reestruturação do capitalismo brasileiro:
Francisco de Oliveira,
Luiz Werneck Vianna,
Carlos Lessa,
Marcio Pochmann,
Luís Nassif,
Ladislau Dowbor,
Bernardo Kucinski, e
Waldir Quadros.
Um projeto grão-burguês apoiado pelo Estado
Depreende-se
do conjunto das entrevistas, com as devidas nuances, otimismo com o modelo em
curso, de reestruturação do capitalismo brasileiro. Mesmo as análises mais
críticas parecem indicar que não há muitas alternativas diante da nova e
avassaladora ordem econômica mundial que exige competitividade se se quer
sobreviver. É o que se percebe quando da análise acerca da constituição de
fortes grupos nacionais com aporte e subsídios do Estado.
Ao afirmar
que o capitalismo brasileiro “está passando por uma forte reorganização”, o
sociólogo
Francisco Oliveira, destaca que o Brasil está incorporando um modelo
mundial. Segundo ele, o capitalismo no país “está passando por um processo que
Marx chamava de centralização dos capitais, um conceito que quer dizer
que o mesmo grupo econômico controla o maior número de capitais. Isso se
reflete, na prática, nesse processo de fusões entre empresas. Essa é uma
característica dos capitalismos muito desenvolvidos, e o Brasil está entrando
nesse modelo”.
O sociólogo
do Iuperj,
Luiz Werneck Vianna, pensa como Chico de Oliveira. Em sua
opinião, o capitalismo brasileiro passa “por uma reestruturação relevante” e,
como o autor anterior, também está de acordo que isso se traduz num “processo de
concentração e de centralização de capitais no país”. Werneck acrescenta
uma novidade para quem “a sociedade brasileira, hoje, não é apenas uma sociedade
burguesa, é uma sociedade grão-burguesa, como atesta a expansão das empresas
brasileiras no exterior, não só na América Latina como na África”. Segundo ele,
“o capitalismo brasileiro transcende as suas fronteiras nacionais. A sua
política externa, hoje, está a serviço disso. Ela não apenas atua na defesa do
território, da identidade nacional, mas diria que, sobretudo, está presente na
expansão econômica do país. Isso se manifesta através de diferentes
empreendimentos”.
O processo
de reorganização do capitalismo brasileiro tem no Estado o seu principal agente.
Os entrevistados são quase unânimes nessa interpretação. Nessa reorganização, o
Estado assume um papel preponderante destaca
Francisco de Oliveira. “O BNDES, que é um banco estatal, está
presente em todas essas fusões e centralizações de capitais. Os fundos de pensão
são os principais promotores dos tentáculos desses processos”. A presença do
Estado justificar-se-ia, uma vez que “é preciso tornar as empresas competitivas
internacionalmente”. Na opinião de Chico de Oliveira, “a economia
brasileira cresceu muito do ponto de vista da projeção internacional e as
empresas brasileiras são realmente nanicas. Para se meter em briga de cachorro
grande não adianta ser luluzinha, tem de ser buldogue”, diz ele.
Sobre essa
opção, comenta o sociólogo: “O paradoxo é que, ou o Estado se arma de uma
musculatura poderosa ou não se mete, porque a briga em jogo não é para nanicos.
O Brasil quer desempenhar um papel importante no cenário internacional: quer
apoiar o Irã, Cuba, desestimular agressões. Sem musculatura, isso não se faz.
Quer dizer, se grita e fica por isso mesmo. Sem poder de retaliação não dá em
nada. Lamentavelmente, para nós socialistas, pelo menos para mim, é uma
tendência mundial, e o Brasil está fazendo a lição de casa”.
Werneck Vianna é enfático ao afirmar que a origem desse processo está
no Estado: “O Estado é como a central de inteligência de todo esse processo, na
medida em que é ele que orienta o movimento de expansão da ordem burguesa e de
concentração e verticalização do capital, de racionalização do sistema produtivo
e se empenha em otimizar todas as possibilidades de expansão internas e
externas”. Segundo ele, a política grão-burguesa – de expansão do capitalismo
brasileira para além fronteira –, “está sendo referendada e apoiada por
políticas de Estado. Nesse caso, as estatais têm desempenhado um papel muito
importante, alavancando essa política de concentração e centralização de
capitais e de lançamento do capitalismo brasileiro no mundo”.
O presidente
do Instituto de Pesquisas Aplicadas – Ipea,
Marcio Pochmman, outro dos entrevistados da revista IHU On-Line,
também sublinha que o processo de formação de fortes grupos competitivos
internacionalmente tem o dedo do Estado. Segundo ele, “é crescente a presença do
Estado em qualquer setor econômico com o objetivo de fazer parte desse seleto
grupo de corporações transnacionais, que cada vez mais são mistas diante de um
espaço tão crescente de recursos públicos. Essa é a lógica do capitalismo, que,
de certa maneira, faz com que desmorone a concepção dos Estados nacionais”.
O jornalista
e economista
Luiz Nassif também destaca na entrevista à IHU On-Line, o papel
regulador do Estado na reorganização do capitalismo brasileiro, porém, fala na
necessidade de uma contrapartida. Segundo ele, “o Estado e o BNDES, na
condição de que estão escolhendo setores para serem os vitoriosos, têm a
obrigação de atuar também através do planejamento das empresas e exigir que elas
cumpram determinados compromissos. Essa é uma medida imposta em qualquer país
civilizado. Isso não é interferência indevida; é papel regulador do Estado.
Infelizmente, isso não está sendo feito”, afirma.
Ladislau Dowbor,
por sua vez, falando sobre a reorganização do capitalismo brasileiro também
destaca a importância do papel do Estado, citando particularmente o caso do
PAC, investimentos segundo ele, “que são necessárias para o desenvolvimento
de todos os setores da economia. Quando se realizam esses investimentos,
promove-se o mercado interno, aumentam os salários, consumo, dinamizando a
produção de bens de investimento. Assim, protege-se o Brasil da crise. Podemos
dizer que melhora a situação econômica porque se geram economias externas para
as empresas ao dotá-las de melhores infraestruturas. Também se cria uma situação
conjuntural mais favorável porque aumenta a demanda agregada dos bens, salários
e equipamentos necessários que acompanham os investimentos”.
O jornalista
Bernardo Kucinski, é outro que está entre aqueles que veem no Estado
a alavanca determinante na reestruturação do capitalismo brasileiro. Segundo
ele, “o BNDES tenta formular políticas de fomento e sustentação de
cadeias produtivas em setoriais, ameaçadas pela globalização”. Para ele, “ou
isso é feito ou a empresa sucumbe no mercado global das megafusões. Nesse
sentido, não cabe discutir quem ganha ou quem perde, e sim a forma como isso é
feito e porque é feito em alguns casos (agronegócios, por exemplo) e não em
outros (indústria farmacêutica, supermercados)”.
O economista
Carlos Lessa, mais um dos entrevistados pela revista IHU On-Line,
concorda com seus colegas: “Objetivamente, está passando por uma reorganização”,
diz ele sobre o capitalismo nacional. Lessa, porém, não concorda que
esteja apenas no Estado a ponta de lança desse processo. Ao contrário, diz ele,
“nos últimos anos, debilitou-se profundamente a parte estatal. Não apenas uma
quantidade muito expressiva de empresas estatais, federais e estaduais foram
privatizadas, como, além disso, aquelas que continuaram sob o controle do Estado
foram despojadas de muitas das suas dimensões. O que houve, sim, de relevante,
foi uma atrofia significativa do Estado e uma redução também do setor privado
nacional. Importantes segmentos privados nacionais passaram ao controle
estrangeiro. Um fato torna isso visível: há 25 anos, toda a rede de
comercialização por supermercado era nacional. A soberania objetiva nacional foi
muito atrofiada, e o Estado brasileiro perdeu muitas das suas funções e
instrumentos porque o neoliberalismo multiplicou essas agências reguladoras, que
na verdade colocam fora da decisão política pública importantes segmentos da
atividade econômica”, comenta o ex-presidente do BNDES.
Lessa,
porém, destaca o papel do BNDES – braço do Estado – no apoio a esses
grupos nacionais e comenta que o “que o BNDES fez para salvar enormes empresas
nacionais e fazê-las gigantescas não é errado, porque, tecnicamente, um país
precisa ter esses gigantes”. O economista alerta para o risco do país se
transformar em uma Singapura: “O Brasil caminha para ser uma Singapura colossal:
Hong Kong da América do Sul. Vão dizer que Hong Kong tem um padrão de vida alto.
Sim, tem. Mas também tem as maiores favelas da Ásia. Hong Kong é terrível. Uma
grande porcentagem da população vive em barcos ancorados permanentemente na
baía. É uma miséria terrível, mas tem Hong Kong e os banqueiros de Hong Kong”.
Contradições e consequências do modelo
Muitos dos
entrevistados destacam contradições e consequências nesse processo de
concentração do capital e formação de grandes grupos. Uma das consequências da
opção de fortalecer o capital nacional, diz
Francisco de Oliveira, é que “esse processo beneficia
diretamente essas empresas. Aumenta o poder delas na competição interna e,
possivelmente, externa (...) e isso significa, no sistema capitalista, uma queda
do poder real da força de trabalho, isto é, a classe trabalhadora passa a se
enfrentar com coalizões de interesses do capital, que são amplíssimas e têm a
capacidade de retalhar em qualquer setor”.
Em sua
opinião, enfraquecem-se também nesse processo os movimentos sociais: “Havia
movimentos sociais para atuar em processos específicos de trabalho. Esses
movimentos rapidamente se enfraquecem porque passam a enfrentar-se com um
adversário cujas proporções estão fora do alcance das organizações dos
trabalhadores. O movimento social em geral perde com essa centralização de
capitais. O ganho político é nulo, e o social é negativo”.
O movimento
de reestruturação do capitalismo apresenta uma novidade que reside no fato de
que ela subsume até forças sociais, alerta
Luiz Werneck Vianna. Segundo ele, “esse movimento não se limita às
elites econômicas da indústria, do agronegócio e está envolvendo também, no
mínimo, a vida sindical. Basta olhar para a composição desse governo, onde todas
as classes e frações de classes se encontram representadas. O agronegócio é um
personagem-chave desse Estado brasileiro de hoje, assim como o mundo das
finanças, dos serviços, da indústria. Os sindicatos também estão presentes,
principalmente as centrais sindicais. Para que não fique só nisso, movimentos
sociais que dizem respeito às questões raciais e de gênero também se encontram
instalados no interior desse Estado. Na verdade, isso reedita, em um plano mais
largo, mais fundo, em outras circunstâncias, o que foi o Estado Novo da época
Vargas”.
O presidente
do Ipea,
Marcio Pochmman, está entre os que também alertam para o processo de
concentração e centralização do capital. Segundo ele, “o que estamos observando
nessas duas últimas décadas de predomínio da globalização, sobretudo financeira,
e de desregulamentação do próprio Estado, é a constituição de grandes
corporações transnacionais. Falava-se, antes da crise de 2008, da emergência de
pelo menos 500 grandes corporações transnacionais, que dominariam todos os
setores da atividade econômica. Nesse circuito de hipermonopolização do capital,
os países que não tiverem grandes grupos econômicos e não forem capazes de fazer
parte desses 500 grupos, de certa maneira, estarão de fora, alijados da
competição de tal forma que passariam a ter um papel passivo e subordinado ao
circuito de decisões desses 500 grupos. Então, a opção brasileira é se aproximar
da concentração desses gigantes para, de certa maneira, fazer parte desse
circuito de poucas, mas grandes empresas”.
O economista
destaca na entrevista à IHU-On-Line que “a crise de 2008 mostrou que as
grandes corporações privadas são tão grandes que podem quebrar, uma vez que o
seu fracasso, enquanto setor econômico, colocaria por terra, inclusive, o
próprio sistema econômico. Portanto, constata Pochmann, “nós estamos numa
fase em que não são mais os países que têm empresas, mas empresas que têm países
diante da dimensão das corporações com um faturamento, em grande parte das
vezes, superior ao PIB dos países nacionais. Então, não há outra
alternativa, no meu modo de ver, que não seja a construção desses grupos”.
O jornalista
e economista
Luiz Nassif se pergunta sobre os grupos econômicos que não tem
musculatura para competir com os grandes: “Onde é que entra, nesse jogo, a
pequena e média empresa, a cadeia produtiva de cada setor? Não se mudou essa
lógica, ainda, porque a pequena e média empresa não fazem parte do jogo
político. Toda a formação desses institutos só consegue entender aquele Brasil
que existia na década de 60, que era um país sub-industrializado. Naquele
contexto, a grande empresa era importante porque representava modernização,
tecnologia. Hoje, o país é complexo. Existem diversas cadeias produtivas em
todos os lugares. Então, os nossos economistas ainda não entenderam essa visão
integrada. Ainda persiste aquela visão anacrônica de que focar na grande empresa
financeira ou industrial é suficiente para o crescimento do país”.
Alguns dos
entrevistados comentam que a reestruturação do capitalismo brasileiro está
engolindo a política, ou seja, as diferenças ideológicas estão se esvaziando e
cresce a concordância de que o caminho é esse mesmo – “a História do País,
afinal, encontrou uma solução feliz”, sentencia Werneck
Vianna.
O sociólogo
Francisco de Oliveira, comenta que a concentração e centralização de
poder econômico acaba se refletindo na política. Segundo ele, a “mudança de rota
num sentido forte e mudanças do fundamento da política econômica de moeda,
crédito, câmbio, isso não vai haver. Talvez a dona Dilma, como é mulher,
coloque um lacinho de fita na cabeça do PIB; e o Serra, como é mais
carrancudo e mais feio, coloca uma gravata borboleta, que é o símbolo de mau
gosto. Mas, mais do que isso, não vai haver nada”.
Sobre as
consequências dessa reorganização do capitalismo brasileiro,
Werneck Vianna, concordando com Chico de Oliveira, comenta que
“a política é a grande derrotada nesse processo”. Em sua opinião, esse modelo,
“ao mesmo tempo em que tutela os movimentos sociais, mantém a sociedade
desorganizada, com políticas de clientela de massa. Por onde a política vai
passar? Ela tem passado por esse “parlamento” das grandes corporações, que tem
sua sede no interior do próprio governo. Então, o ministro da agricultura pode
perfeitamente conviver com o ministro do meio ambiente e o do desenvolvimento
agrário. Cada um deles é portador de interesses determinados, mas esses
conflitos são retidos no interior do governo, e apenas residualmente se
manifestam no plano da sociedade. O que está unificando o país hoje é um projeto
expansionista burguês com vocação grão-burguesa”, diz.
Rumo a um capitalismo decente?
As
entrevistas permitem a interpretação de que há certa rendição ao fato de que não
resta outro caminho senão o do neo-keynesianismo, política aliás, saudada como
progressista quando se tem presente os anos recentes do neoliberalismo. Sendo
assim, essa esquerda, dá como ponto de partida que não há mais alternativas ao
capitalismo, quando muito se tem a pretensão de torná-lo mais decente, como
atesta
Ladislau Dowbor: “Uma reorganização do capitalismo e mais, a meu ver,
uma evolução de um capitalismo selvagem para um capitalismo mais decente”.
Dowbor
se mostra animado com as perspectivas. Segundo o economista e professor na
PUC-SP, “nós temos, em termos crescentes, redistribuição de renda sob várias
formas: aumento da massa salarial, do salário mínimo, das aposentadorias. Além
disso, existem programas como o Bolsa Família, Programa Universidade para Todos
- ProUni, Luz para todos, Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar - Pronaf, ou seja, um conjunto de incentivos que
estão redistribuindo a renda e tornando o capitalismo menos injusto. Esse é um
avanço bastante significativo, mas não se deve exagerar no que isso significa.
Há avanços muito significativos também na área ambiental. Digamos que o país
começou a proteger seus recursos, e isso é particularmente sensível com a
situação da Amazônia: o desmatamento caiu de 28 mil Km² para 7 mil Km². Continua
sendo um desastre, a Mata Atlântica continua sendo prejudicada. Mas, no
conjunto, há avanços”.
O jornalista
Bernardo Kucinski, um dos entrevistados pela revista do IHU, é
outro que vê com otimismo a reorganização do capitalismo brasileiro. Em sua
opinião, se percebe “a mudança visível foi de uma economia de estagnação e
desemprego para uma economia de crescimento e criação de emprego formal em
grande escala, embora sem melhora expressiva na recuperação da renda do
trabalhador. Melhoras significativas na redução da miséria na habitação e
demarcação de reservas indígenas e ambientais. Melhoras importantes na
reestruturação do Estado, desmantelado no governo FHC, especialmente na
Polícia Federal e agências ambientais, mas não decisivas e, nem ao que parece,
irreversíveis”.
O programa
anti-capitalista, em voga em outros tempos na esquerda, perde força. A força
agora reside no aparelho estatal e não mais nas forças sociais da sociedade, no
movimento social. Com diz
Rudá Ricci, “o desejo de alterar a lógica estatal a partir da
mobilização social foi revertido: foi a lógica estatal que subjugou o
anti-institucionalismo e as práticas de democracia direta".
Outro
aspecto passível de interpretação a partir de algumas entrevistas é o fato de
que se confunde inclusão social com o acesso ao mercado de consumo e não
necessariamente com a resolução dos graves e seculares problemas nacional. Sendo
assim, o aumento do consumo, não menos importante, é destacado com um grande
ganho, mesmo que permaneçam os problemas estruturais na área da saúde, educação,
saneamento, etc.
Crise climática. Déficit no debate
O tema,
entretanto, que manifesta maior déficit entre os entrevistados é acerca da pouca
ou inexistente criticidade ao modelo em curso e seus impactos ambientais. Aqui,
a sensação que se tem é que os entrevistados não consideram o tema relevante. A
leitura de que o mundo está confrontado com uma crise estrutural e não somente
conjuntural e de que as crises econômica, ecológica, alimentar, energética são
manifestações de uma crise maior, uma crise de modelo de desenvolvimento de tipo
civilizacional – particularmente da sociedade capitalista – se organizar passa
ao largo das análises.
Reiteradamente as análises de conjuntura aqui publicadas têm chamado a atenção
para aquilo que se considera um tema da maior grandeza mundial: a crise
climática. Temos destacado, a partir de inúmeras análises que o planeta Terra dá
sinais cada vez mais reiterados e evidentes de esgotamento. Os sistemas físicos
e biológicos alteram-se rapidamente como nunca antes aconteceu na história da
civilização humana. Alertamos para o fato de que é o tipo de desenvolvimento
econômico implantado, especialmente, ao longo dos últimos dois séculos, baseado
no paradigma do crescimento econômico ilimitado, na ideia de progresso infinito
e na concepção de que os recursos naturais seriam inesgotáveis e de que a nossa
intervenção sobre a natureza se daria de maneira neutra, que se encontra a razão
do impasse que vivemos.
Quando
olhamos o Brasil e o seu processo de reestruturação do capitalismo percebe-se
uma distância enorme com essa preocupação. Em tese, existe na retórica, mas está
ausente na prática. O governo brasileiro está absolutamente convencido de que o
seu papel é induzir o crescimento da economia, função que exerce através do
binômio “Estado financiador” e “Estado investidor”, conforme indiretamente
atestam os entrevistados. A reestruturação do capitalismo brasileiro não leva em
conta a crise maior: a crise climática.
Quando esse
tema é confrontado com as entrevistas, depreende-se que os entrevistados
permanecem presos à lógica do capitalismo industrial – a obsessão pelo
crescimento econômico. É incontestável que o PAC é refém de um modelo de
desenvolvimento preso ao século XX porque se coloca de costas para a
problemática ambiental e reafirma a lógica produtivista da sociedade industrial.
Exatamente no momento em que se fala em descarbonizar a economia [basta pensar
no esforço de Copenhague], o país reafirma um modelo tributário ainda da
Revolução Industrial. Que alguns entrevistados não concordem com essa
interpretação é natural, porém, afirmar que “esses ambientalistas que combatem
hidroelétricas deveriam ser levados pelo governo a visitar Itaipu, uma das
maravilhas da engenharia brasileira”, como afirma
Kucinski é desqualificar a crítica dos que se contrapõem ao modelo e
elevar uma obra de enormes impactos ambientais – submersão das Sete Quedas – e
sociais a “maravilha” do mundo. Só mesmo numa visão economicista isto é
possível!
Bernardo
Kucinski
está entre aqueles que não veem sentido nos protestos e críticas ao governo Lula
de anti-ambiental. Falando sobre o PAC, considera que “não vai na
contramão da crise ecológica”, e afirma: “uma das maiores contradições desse
tipo de ambientalismo é a condenação da energia limpa e barata gerada pelas
hidroelétricas quando - objetivamente - a alternativa é a termelétrica, esta
sim, das mais caras e poluentes. As hidroelétricas, além disso, regulam a vazão
das águas, reduzindo a frequência e as severidades das enchentes e das secas,
garantem o abastecimento de água, criam reservas turísticas, de lazer, de pesca
e de navegação. Esses ambientalistas que combatem hidroelétricas deveriam ser
levados pelo governo a visitar Itaipu, uma das maravilhas da engenharia
brasileira. Eu amo as hidroelétricas bem construídas”, afirma ele. Ou seja,
reduzir o debate à escolha entre apenas duas fontes energéticas.
Ladislau Dowbor está entre os que minimizam a problemática ambiental.
Segundo ele, “os nossos grandes problemas ecológicos são basicamente as
queimadas e o péssimo uso que fizemos de recursos de transporte”. Segundo ele,
“nós temos uma matriz energética basicamente limpa, e temos uma perspectiva de
bicombustíveis que não pressionam cereais, porque é baseado em cana-de-açúcar,
que exige, em termos de território, espaços bastante limitados. Temos muitos
espaços a ocupar, somos a maior reserva de terra parada no planeta. No conjunto,
o país está evoluindo muito bem”. Dowbor vai mais longe ao afirmar que
“lutar com muita força contra as hidrelétricas não é de bom senso”.
Poder-se-ia,
nesse sentido, afirmar que em nome de um progressismo de esquerda, alguns
autores tornam-se conservadores porque refutam o debate sobre a emergência da
crise climática. Destacamos aqui as análises de
José Eli da Veiga, Washington
Novaes, Ricardo
Abramovay, intelectuais que talvez nem se arvorem como sendo de
esquerda, mas que estão sintonizados com a nova agenda mundial, e nesse sentido
contribuem para o debate dos novos desafios que surgem nesse início de século.
O Brasil está atrasado
O economista
José Eli da Veiga em uma recente entrevista ao IHU comenta que
o Brasil está perdendo o bonde da história, exatamente por uma visão obtusa de
desenvolvimento. Comentando a Conferência de Copenhague, ele afirma: “A
importância que eu dou para Copenhague não é tão grande. A transição ao baixo
carbono está em curso faz tempo e independe de Copenhagen. Os países que mais
rapidamente perceberam que em vez de um problema, uma restrição, isso é uma
grande oportunidade para uma nova etapa do capitalismo, já estão há muito tempo
investindo em ciência, tecnologia e inovação. Assim, eles possuindo essas
tecnologias que poderão ser a solução, terão as oportunidades de negócio. Isso
está ocorrendo e vai continuar ocorrendo, seja qual for o resultado de
Copenhague. E os países emergentes, como o Brasil, que ficaram nessa linha
obtusa de resistência, não investindo em ciência e tecnologia com prioridade,
não terão essas tecnologias e continuarão tendo que discutir essa questão de
como vão comprar tecnologia dos outros através da tal transferência de
tecnologia”.
Segundo
Eli da Veiga, “na verdade, o que está ocorrendo é uma tremenda corrida pelas
tecnologias, que poderão levar à superação da era fóssil. E outra vez serão os
mesmos países que fizeram a revolução industrial que vão levar a melhor nessa. E
os países emergentes agiram de uma forma totalmente errada até agora, perdendo a
oportunidade de mudar esse jogo”.
O economista
afirma que na questão do clima especificamente, infelizmente, o Brasil está
atrasado e faz uma dura crítica às elites brasileiras: “As elites brasileiras,
em geral, estão absolutamente cegas. Elas estão fazendo a mesma coisa que
fizeram no século XIX com a questão fundiária, e no século XX com a educação.
Não há foco no Brasil em relação à ciência, à tecnologia e à inovação. E isso é
um atraso. O Brasil não será um país desenvolvido neste século se continuar
nessa perspectiva”.
O economista
faz um alerta: “Não dá mais para fazer essa separação [da economia com o meio
ambiente]. Diz ele: “As pessoas que continuam a separar economia e meio ambiente
não entenderam nada. Há duas questões no mundo hoje em termos de décadas e em
termos de século XXI e, ou o Brasil se insere nisso ou está perdido. Essas duas
questões são: o aquecimento global e a ressurreição da China. O Brasil tem que
ser competitivo, mas, ao mesmo tempo, com sustentabilidade ambiental”.
Washington Novaes também contribui com esse debate ao alertar que o
Brasil se encontra numa encruzilhada histórica que pode ser decisiva para o
futuro de nação soberana e um ganho comparativo mundial. Segundo ele, “um país
que tem a biodiversidade que o Brasil tem, os recursos hídricos, a insolação o
ano todo, enfim, com a riqueza que o país tem, deveria ter uma estratégia que
colocasse esse fator escasso no mundo numa posição privilegiada como base de
políticas. Mas essa estratégia não existe”.
Que tipo de crescimento econômico queremos?
A grande
questão posta hoje é que tipo de crescimento econômico queremos? Por muito
tempo, inclusive na esquerda, acreditou-se que o crescimento econômico seria a
varinha de condão para a resolução de todos os problemas. Particularmente da
pobreza. A equação é conhecida. O crescimento econômico produziria um círculo
virtuoso: produção-emprego-consumo. Porém, o axioma de que apenas o crescimento
econômico torna possível a justiça precisa ser complexificado. Será que o grande
projeto brasileiro é transformar todos os cidadãos em consumidores?
É preciso
complexificar o debate. Por isso temos insistido no princípio da “ecologia da
ação” de Edgar Morin como um princípio orientador para um projeto de sociedade.
Segundo Morin, “desde o momento em que um indivíduo empreende uma ação,
qualquer que seja ela, esta começa a escapar de suas intenções. Ela entra num
universo de interações e finalmente o meio ambiente apossa-se dela num sentido
que pode tornar-se contrário ao da intenção inicial. Com frequência a ação
retorna em bumerangue sobre nossa cabeça”. O que Morin quer dizer é que
toda ação implica em efeitos nem sempre controláveis e que mesmo uma ação
realizada com o melhor dos propósitos, pode fugir ao controle e voltar-se contra
o objetivo inicial.
O princípio
da “ecologia da ação” destaca que doravante toda e qualquer ação deve estar
subordinada ao imperativo da crise ecológica, ou seja, faz-se necessário que
tenhamos presente o fato de que tudo aquilo que realizamos tem consequências, e
sob esta perspectiva urge presumirmos os possíveis efeitos colaterais de nossa
ação. A “ecologia da ação” vale ainda mais para as decisões institucionais,
particularmente aquelas do mundo dos negócios e do Estado que possuem
repercussão maior sobre o conjunto da população e do meio ambiente.
A “ecologia
da ação” questiona o atual
paradigma civilizacional produtivista-consumista e remete para a necessidade
de uma outra economia, outro estilo de vida, outra civilização, outras relações
sociais e com o meio ambiente. Faz-se necessário um paradigma que rompa com a
racionalidade técnico-instrumental instaurada pela modernidade. Aqui, tanto a
direita como determinada esquerda não estão à altura da tarefa exigida. Tanto o
liberalismo como certa leitura dogmática do marxismo repousam sobre a noção de
um progresso infinito, e repetem exaustivamente o mantra do crescimento. Até
mesmo parcela significativa do movimento social é tributária de um jeito de
pensar e agir preso às categorias da sociedade industrial, e daí a dificuldade
de assimilação em sua agenda de temas que estão para além dessa sociedade.
Propostas
simplificadas e descontextualizadas que reproduzem o receituário keynesiano
e marxista – matrizes teóricas de outro momento histórico – não nos ajudam a
sair da crise, porque são mais parte do problema do que da sua solução, uma vez
que bebem na mesma fonte: o desenvolvimento/crescimento econômico como saída
para a crise.
Agora, urge
a consciência de que a crise ecológica é, antes de tudo, expressão de
determinado modo produtivo da sociedade industrial, em vias de esgotamento. Por
isso, insistir teimosa e cegamente no produtivismo econômico é ameaçar toda a
vida da e na Terra, incluídos os seres humanos, colocando em grave risco a vida
das gerações futuras. É impossível evitar uma catástrofe climática sem romper
radicalmente com os métodos e a lógica econômica que reinam há 150 anos.
Talvez seja
inclusive muito tarde para isso como atesta
James Lovelock, para quem “os humanos são muito estúpidos para evitar
que as mudanças climáticas impactem radicalmente sobre as nossas vidas ao longo
das próximas décadas”.
Conjuntura da Semana em frases
Terminando
bem
"O Lula fez
dois mandatos, está terminando bem o governo. O que nós queremos para o Brasil?
Que continue bem e até melhore" –
José Serra, governador de São Paulo – PSDB – Folha de S. Paulo,
21-03-2010.
Saliência
“É espantosa
essa saliência de Lula e do Brasil no cenário das relações internacionais.
Nunca, sob qualquer governo, o Brasil teve essa notoriedade e destaque” –
Paulo Sant’Ana, jornalista – Zero Hora, 15-03-2010.
Feios
"Serra e
Dilma são igualmente antipáticos e igualmente feios. Ideologicamente estão muito
próximos. O projeto deverá ser exatamente o mesmo" -
Marcus Figueiredo, professor do Instituto Universitário do Rio de
Janeiro (Iuperj) – O Estado de S. Paulo, 23-03-2010.
Não cola
“Dilma
mostrará a cara que ela tem. Essa história de mulher autoritária e mal-humorada
não corresponde com a imagem que temos dela. Isso não cola” –
Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência da República, que cuidará do
plano de governo da candidata – Zero Hora, 21-03-2010.
Jefferson
“A senhora,
que é uma mulher, tem que usar todo seu encantamento para trazer para a campanha
o nosso presidente Roberto Jefferson” –
Fernando Collor de Mello, senador – PTB-AL, ao elogiar e apoiar a
candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República – O Globo,
18-03-2010.
Sangue frio
e nervos de aço
“Tenho dito
aos amigos: sangue frio e nervos de aço, a guerra vai ser dura, um brutal
requentamento (sic) de 2005 (ano do mensalão). Aos adversários digo: a vida do
povo melhorou. Vamos aumentar a ligação com o povo, isso é o que nos salva” –
Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, no aniversário de José Dirceu,
defendendo o ex-ministro e o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, acusado
de participar de um esquema de cobrança de propinas – O Globo,
17-03-2010.
Feminil
"O Fernando
Henrique tem um ciúme infantil do Lula, uma inveja feminil do Lula" –
Ciro Gomes, deputado federal – PSB – Valor, 17-03-2010.
Constrangimento
“Por
unanimidade, a direção do meu partido pediu para eu não ser candidato. Como eu
seria?” —
Eduardo Suplicy, senador - PT-SP -, desistindo de disputar o governo – O
Globo, 30-03-2010.
Estupidificação
"Nós vamos
para o Congresso, 513 homens e mulheres, vestindo paletó e gravata, gente
decente, boa, inteligente, chega ali e há uma bola de "estupidificação", uma
coisa inacreditável" -
Ciro Gomes, deputado federal – PSB – O Estado de S. Paulo,
23-03-2010.
Nunca
mais...
“Nunca mais
vou ser deputado na vida” –
Ciro Gomes, deputado federal – PSB –SP – O Globo, 13-03-2010.
“Não tenho
mais paciência de passar nove horas conversando fiado e não fazendo nada pela
vida de ninguém” –
Ciro Gomes, deputado federal – PSB –SP –, explicando a rotina de ser
deputado - O Globo, 13-03-2010.
"Seu pai é
ladrão!"
"É comum
filhos de parlamentares não dizerem que são filhos deles. Se não, ouvem
comentários do tipo "Seu pai é ladrão". Esse tipo de coisa vai atingindo as
pessoas. Passei por isso várias vezes. Você vai a um jogo de futebol e as
pessoas ficam gritando "mensalão", "mensalão". Não é possível. Isso vai somando"
-
José Eduardo Cardozo, deputado federal e secretário-geral do PT - Valor,
16-03-2010.
Pior parte é
buscar dinheiro
"A pior
parte de uma campanha é buscar dinheiro. O candidato teria que falar: "Você me
dá o seu dinheiro, mas eu não vou dar nada em troca". Só pelo fato de dizer que
não vai dar nada em troca o doador vai dizer: "Mas você está dizendo que eu sou
bandido?" Além disso, teria que pedir o imposto de renda do doador também, já
que há um limite para doação sobre a arrecadação do doador" -
José Eduardo Cardozo, deputado federal e secretário-geral do PT - Valor,
16-03-2010.
Chimarrão e
cachaça
"O Tarso
(Genro) é um baita de um companheiro, mas é um companheiro polêmico. Em vez de
chimarrão, Tarso, tome um belo de um uísque de qualidade, tome uma cachaça de
qualidade, tome uma caipirinha" –
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – Folha de S. Paulo,
22-03-2010.
"É o amor!"
"Mas você
está linda. Remoçou dez anos. É o amor, só pode ser o amor" –
Marcelo Rossi, padre, para Marta Suplicy Suplicy, ex-prefeita de S. Paulo –
Folha de S. Paulo, 16-03-2010.
Oração dos
royalties
“Sermão
outro dia do padre Marcos Belisário, da Igreja dos Santos Anjos, no Leblon:
‘Alguém sabe por onde andava o dinheiro dos royalties do Rio? Pelo menos, a
Emenda Ibsen serviu para levantar esta lebre’. Onde foram aplicados estes R$ 7
bilhões anuais? Faz sentido” –
Ancelmo Góis, jornalista – O Globo, 28-03-2010.
CPMF
“Fiquei
muito magoado e ofendido quando a minha oposição no Senado derrubou a CPMF. Eu
não conheço um empresário no Brasil que reduziu do custo do seu produto 0,38%,
que é o que a gente pagava no cheque” –
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Globo,
26-03-2010.
Desgraça
"Esses dias
eu fiquei triste. Inaugurei duas mil casas e não vi uma nota no jornal. Mas,
quando cai um barraco, eles dizem que caiu uma casa" –
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Estado de S. Paulo,
25-03-201.
Voto dos
presos
“Uma vez que
o preso vote, os políticos irão até as cadeias e presídios. Desse contato,
esperamos que possa surgir um compromisso: mudanças necessárias e urgentes no
cumprimento da lei em relação às pessoas detidas” –
Valdir João Silveira, coordenador da Pastoral Carcerária Nacional,
defendendo a resolução do TSE que prevê a instalação de urnas eletrônicas para
que presos provisórios possam votar pode contribuir para a melhoria do sistema
carcerário – O Globo, 28-03-2010.
Plágio
“Do Norte,
chegam os sinais: 1) Símbolo do maior capitalismo do mundo, a GM virou estatal.
2) O sistema público de saúde dos Estados Unidos deverá atender mais 46 milhões
de pobres. Em Cuba, Fidel Castro coça a barba e pensa, já com tradução para o
português: “Vou propor um embargo contra eles. Por roubo de propriedade
intelectual”” –
Túlio Milman, jornalista – Zero Hora, 23-03-2010.
Inferno
“A Vale pode
ir para o inferno. Estamos cansados de capitalistas estrangeiros que vêm aqui
destruir o estilo de vida canadense" -
Wayne Fraser, representante do sindicato canadense que lidera a greve nas
minas de níquel e cobre no Canadá - Financial Times - 14-03-2010.
Idade da
razão
"Aos 92
anos, as minhas preocupações são: se vai ter bolo de fubá no café da manhã, se o
suco de laranja tem gelo ou não (eu não posso com gelo) e o que vai ter para
jantar. Só isso" -
Antonio Candido, um dos principais nomes da crítica literária, sobre a
polêmica distribuição dos royalties do petróleo entre Estados e a União –
Folha de S. Paulo, 22-03-2010.
"Idade é
eterna"
“A linguagem
politicamente correta pode se transformar em ridículo. Chamar velhice de "melhor
idade" só pode ser gozação. É claro que a "melhor idade" é a juventude. Quero,
então, fazer uma sugestão que agradará aos velhos. A voz chama para embarcar os
"cidadãos da "idade é terna'". Não é bonito ligar a velhice à ternura?” –
Rubem Alves, escritor – Folha de S. Paulo, 16-03-2010.
Imperdoável
“De uma
perspectiva leiga, moderna e democrática, nenhuma instituição, por mais
veneranda que seja, está a salvo da investigação e do julgamento público; ainda
mais quando se acumulam indícios de que sua autoridade e prestígio facilitam a
realização, a continuidade e o acobertamento de atos da mais pura infâmia” –
editorial “Imperdoável” sobre os escândalos-pedofilia na Igreja – Folha
de S. Paulo, 28-03-2010.
Max Weber da
Penha
“Romário vem
tendo aulas particulares com o professor de ciência política Leonardo Petronilha,
da Universidade Cândido Mendes, do Rio. O Baixinho, como se sabe, é candidato a
deputado federal pelo PSB fluminense” –
Ancelmo Góis, jornalista – O Globo, 30-03-2010.
Pizza por
telefone
“Falta de
tempo não é desculpa para comer mal. Hoje as pessoas gastam mais tempo esperando
uma pizza pedida por telefone do que se preparassem em casa um bom peixe” -
Fabio da Silva Gomes, nutricionista – Zero Hora, 13-03-2010.